"Aqui você lê o conteúdo essencial do Evangelho da Graça de Deus que revela o único Caminho a ser feito .... o Caminho é Jesus!"

MISSÕES: Um grande dilema!

Tenho visto nestas últimas décadas – para ser mais preciso nestes últimos anos –, que os ânimos entre as “igrejas” e as agências missionárias tem se alterado. É claro que nem todas as agências missionárias têm tomado as atitudes da qual se fundamenta este texto. Quero deixar claro quando digo algumas agências, me refiro aos líderes e coordenadores destas que tem estabelecidos algumas opiniões que tem gerado contrariedade em muitas pessoas.

Conheço e respeito muitas agências missionárias, bem como, respeito e admiro muitos missionários que são meus amigos pessoais.

Porém, tenho visto crescer, dentre aqueles que teriam a responsabilidade de formar e instruir os candidatos a missões, uma opinião que os colocam contra a própria igreja da qual estes são membros.

Não sei o que se passa no coração destes líderes, que os fazem serem tão irresponsáveis a tal ponto. Dizem: “Se você diz que sente o chamado de Deus para missões, e seu pastor pedir para você orar para confirmar, ele está fora da visão de Deus. Se você já sentiu o desejo de atender o ‘Ide’, Deus já confirmou no seu coração, não é necessário buscar confirmação de Deus em oração”.

Logo, quando um candidato que sente o desejo, ouve ou lê algo desse tipo, vai colocar em dúvida a autoridade de seu pastor.

O que acontece, é que em sua grande maioria, as pessoas ou “líderes” que tem dado tal opinião, são pessoas frustradas com a “igreja”, com seus “pastores” e assumem para si então, a decisão de ir para missões, mesmo que não sendo enviado pela sua “igreja”, ou com o apoio de seu pastor.

É por isso que temos visto muitos missionários que estão sozinhos nas ETED’s, nos campos missionários, sem apoio de suas “igrejas” e seus pastores.

Cansei de ver tal situação acontecer.

Quero aqui dizer também, que temos sim, muitas “igrejas” que não tem dado ouvido ao “Ide”, muito menos, tem investido em missões. Tem ajuntado riquezas na terra somente para ostentar uma posição, construindo belos templos, comprando jatinhos de milhões de dólares, helicópteros, andando com carros blindados, e contratando seguranças pessoais armadas.

Sim, temos visto a “igreja” brasileira dar as costas para missões. Não tem se preocupado com as nações, não tem dado a atenção às nações que clamam por ajuda. Nossas “igrejas” se quer, tem olhado nos bairros vizinhos à elas. Aqui mesmo no Brasil, quantos lugares se podem fazer missões, quantas pessoas precisando muito mais do que cestas básicas, um abraço, um ombro, uma mão estendida, uma palavra de conforto, coisas que só podem ser dadas por aqueles que carregam o Evangelho no peito, cuidando do próximo, mesmo que este próximo não seja um africano, nem um asiático, mas um simples caipira do interior, ou um habitante do sertão nordestino, ou um freqüentador da Crackolândia, ou um menino que dorme na praça.

Agora, necessitamos de ser responsáveis por aqueles que estão demonstrando o desejo de ir às missões.

O que estes líderes de ETED’s , com tal opinião denunciada acima expressa, é uma total irresponsabilidade para com a vida daqueles que estão colocando no coração o desejo de ir às missões. O resultado de esta opinião ser atendida vai ser pessoas abandonadas nos campos e nas bases missionárias sem apoio nenhum.

Precisamos ser responsáveis. Uma Igreja que se preze, que respeita, que é criteriosa, e um pastor que sabe de sua responsabilidade, tem a obrigação de saber de seus membros que sentem o desejo de fazer missões, se este desejo é uma motivação legítima por uma paixão ardente em ver o Evangelho propagado nos quatro cantos da Terra, ou se esta motivação é invejosa, arrogantemente soberba, carregando dentro do peito o desejo de ter um título somente – missionário –, engodado pelo status que tal título pode conceder. Se esta pessoa, tem a maturidade necessária para cumprir com aquilo que Paulo diz: “Dar a razão de sua fé”, mesmo respirando ameaças de morte. Se ela está cônscio das responsabilidades, se está disposta a ir, a abandonar o lar, a deixar o conforto, e se permitir ser levado pelo soprar do vento para um povo em especial.

Sim! Digo isso, porque já vi em muitos esta motivação superficial que descrevi acima.

Me recordo que em uma “igreja” que freqüentei, um jovem após sua conversão, sentiu no coração o desejo de ir para uma ETED se preparar para ir ao campo missionário. E ele foi. Foi uma benção. Hoje é um missionário na África, em Guiné-Bissau. Porém, me recordo também, que na mesma época em que este jovem foi para a ETED, ele tinha um amigo na igreja que não desgrudava dele, e com a ida desde jovem à base missionária para treinamento, este outro ficou, e ficou, e ficou..... com o coração na mão. E depois que ele se formou e foi à África, este outro – seu amigo – que ficou, disse que estava sentindo de ir também para a base missionária para se preparar. E ele foi. Porém, quando chegou na base, viu que a realidade não era aquela que ele imaginava. Não concluiu o treinamento. Voltou, se frustrou com seu fracasso, não soube trabalhar seus sentimentos. Se afastou da “igreja”, e hoje, retornou para a antiga vida que tinha antes da “igreja”: a prática da homossexualidade. Hoje mora com um outro rapaz em São Paulo e está afastado dos caminhos do Senhor.

Já vi, jovem que se converteu a pouco tempo, sem maturidade nenhuma pedir ao seu pastor que o apoiasse para que ele fosse a uma ETED se preparar para o campo missionário. E o pastor com muita responsabilidade disse: Não! Este pastor está errado, então!? Está fora da visão do “Ide”? É claro que não. Ele simplesmente foi responsável com um jovem que se converteu a pouco tempo, e que ainda apresenta características que precisam ser trabalhadas, e que num campo missionário seriam prejudiciais a ele mesmo, e como pastor que cuida de seu rebanho, tomou a postura de cuidar da vida deste jovem primeiro, antes de enviá-lo ao campo.

Uma coisa é verdade: a “igreja” como vemos no Brasil, tem muito o que aprender a respeito de missões, e não somente aprender, bem como, tomar atitudes para atender ao “Ide”, à grande comissão feita a todos quantos abraçaram a fé.

Porém, o outro lado da moeda não pode ser negado: Vemos líderes de ETED’s irresponsáveis, sem preparo cristão nenhum. Não é um cursinho que faz de você um missionário. Não é um tempo de estudo que faz de você um missionário. Não é um cursinho de liderança que te ensina a papagaiar como ser missionário que te faz um coordenador e liderar outros.

É por causa destes que vemos muitos jovens contrariados com suas igrejas e pastores.

Missionário é forjado primeiro na igreja da qual pertence. Desenvolve trabalhos de missões na cidade em que mora. Não é uma ETED que produz um missionário. É uma Igreja que ensina o amor pelos homens, pelo semelhante, pelo próximo que desperta no coração do cristão o desejo de sair pelo mundo anunciando a Boa Nova do Evangelho que é chegado o Reino de Deus para libertação e salvação de todo aquele que crer.

Missionário entende que missão não é somente num outro continente. Ele sabe que se faz missões nas casas dos vizinhos, nos bairros da sua cidade, nos presídios, nas febens, nos hospitais, nas ruas, nas praças, nos becos.... enfim, à nossa volta. Ao nosso redor existe infindáveis possibilidades de se fazer missões. É só ter boa vontade, vergonha na cara e humildade para enxergar o próximo mais próximo para falar do Evangelho.

Sabe por que muitos não querem atender este tipo de “Ide”? Porque não dá status. Não aparece nos jornais. Não te dá um passaporte. O pastor não vê. A igreja não vê. O pessoal da confraria da igreja não vê. Logo, ninguém nota, ninguém percebe o seu trabalho. Logo.... pra que ter este trabalho então?

Só quem verdadeiramente discerniu o espírito do Evangelho, e entendeu o que significa o “IDE” de Jesus – que começa na Judéia, depois em Jerusalém, Samaria e depois, e somente depois..... é que se chega aos confins da terra –, é que cumpre o “Ide” na sua cidade. Ainda que ninguém perceba, seu compromisso é com Aquele que o comissionou. A saber, Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo.

Convido aos que querem se candidatar às missões, a realmente refletir sobre quais são as suas motivações a respeito, se partem de um desejo pelas vidas dos homens, independente de que classe, região, nação eles sejam; ou se é meramente um desejo de carregar um título.

Convido aos que ministram nas ETED’s a orientarem corretamente seus alunos, e principalmente, a re-estabelecer o vínculo destes com suas igrejas, pois, missionário itinerante sem compromisso com um lugar, uma igreja, um pastor, sem alguém para prestar contas, sem um lugar para voltar, não é missionário, é aventureiro de uma pseudo-fé.

É só olharmos para nossa referência eclesiástica mais primal da estrutura da Igreja, o Apóstolo-Missionário Paulo. Antes de ir ao campo, pertenceu a um corpo, um povo, uma igreja – Antioquia. E depois de um tempo em comunhão, “foi enviado” por imposição de mãos do presbitério que recebeu a revelação de Deus os comissionando, sempre manteve contato, e retornou para sua igreja, prestando contas das igrejas que haviam estruturado durante suas viagens.

Tudo o que precisamos para sermos uma Igreja Missionária, está na Bíblia, principalmente no livro de Atos. É ter um pouquinho de vergonha na cara e meter a cara na Bíblia para estudar como realmente deve ser feito missões.

O resto, é resto. Faz parte do pacotinho sistematizado-gospel-evangélico-de-missiologia que sempre cria métodos e esquemas para “formar” missionário.

Quando na verdade, um missionário é formado quando ele se rende diante daquele que se estabelece como Senhor de sua vida, e compreende o imenso perdão que o alcançou, e percebe que superabundou em sua vida a suprema Graça, e ele assume então a responsabilidade em levar a outros esta Graça e perdão que o alcançou, levando tantos outros aos pés da Cruz, por meio da qual recebemos o descanso, que nossa alma chama de SALVAÇÃO!

Pense nisso!

Na Graça Daquele, que nos ordena que “indo” pelo nosso caminho, espalhemos a semente da Boa Nova de Salvação a todos os homens, da qual eu Juliano Marcel me tornei ministro, e tantos quantos ouvirem e aceitarem o convite.

Juliano Marcel
05/01/2012


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